domingo, 22 de setembro de 2013

Encontro garante à juventude e aos produtores rurais reflexão em torno da convivência com o Semiárido


“Eu adorei a reunião, não esperei ser tão boa como foi. Nós fomos bem recebidos, bem tratados, foi ótimo, excelente, se fosse melhor do que isso estragava”. Essas foram as palavras da Senhora Antonia do Povoado Boa Esperança, Inajá/PE ao avaliar o Encontro Microrregional promovido pelo Polo Sindical – PE/BA nos dias 19 e 20 deste mês em Petrolândia - PE. Com o tema: Juventude Rural: Discutindo a Convivência na Região Semiárida, o encontro reunião homens, mulheres e jovens agricultores/as familiares dos municípios de Inajá e Manari/PE que durante dois dias discutiram importantes temas relacionados ao Semiárido brasileiro.

No primeiro dia, após a dinâmica de apresentação dos participantes, a convidada Francisca Gonçalves, reassentada de Itaparica, do Projeto Barreiras, Petrolândia-PE fez uma breve explanação da sua experiência com a agricultura orgânica; pioneira na região, após ter participado de um Curso em Agroecologia no Serta em Ibimirim-PE promovido pelo Polo Sindical. Josiel Araújo, Comunicador Popular (ASA/P1+2) relatou sua experiência em sistematizar no boletim "O Candeeiro" a história da agricultora. "Essa mulher é uma guerreira, um exemplo de vida. Contar sua história foi apaixonante", conta. Dona Francisca falou ainda dos sucessos, mas também destacou as dificuldades em manter seu projeto vivo. Houve uma boa participação nos debates em torno desta temática, além de incentivos para que dona Francisca continue firme no propósito de produzir organicamente.



As ações da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) foram destacadas na apresentação de José Dionízio, Coordenador do P1MC/Polo que apresentou dados dos projetos e implementações do programa P1MC executado pelo Polo Sindical na região. Para contribuir com o debate, Elizado Falcão da Secretaria de convivência com o Semiárido apresentou as “Novas Narrativas do Semiárido” à partir das ações da ASA e as organizações parceiras na execução das tecnologias sociais. Após discussões a respeito dos assuntos abordados e, depois de uma dança de roda (cultura indígena), a diretora Lucinéia Justino da Secretaria de jovens e mulheres e Elizado Falcão apresentaram o Campo de atuação Polo Sindcial e destacaram as ações promovidas na região do submédio São Francisco, pautadas sempre na defesa dos trabalhadores/as, dos jovens e das mulheres do campo.


O coordenador do P1+2, Sandro Rogério trouxe importante contribuição sobre os conceitos e princípios da Agroecologia, não como alternativa, mas sim, como garantia da manutenção das boas práticas de produção que respeita as pessoas e o meio ambiente como os nossos pais e avós sempre fizeram. Sebastião, agente Social do P1MC, ilustrou o debate falando que seu avô faleceu com 101 anos, porque sabia plantar e comer.

No segundo dia, (20), houve a participação do Coordenador Geral do Polo Sindical-PE/BA, Adimilson Nunis, que iniciou os trabalhos agradecendo a presença de todos. Falou que não é novidade pra ninguém o trabalho que a entidade desenvolve na região e disse que desde a fundação da ASA o Polo constroi cisternas. “Porque nós entendemos que é fundamental para o agricultor que está lá na sua roça, ter no mínimo uma política que garanta a água pra beber”, enfatizou. Reforçou que para os trabalhadores garantirem seus direitos é preciso está organizado em seu sindicato e este por sua vez fazer parte da rede sindical, ligado ao Polo, a Contag e no estado a Fetape para que a união faça a força que os trabalhadores precisam para vencer os obstáculos. Adimilson convocou a juventude rural à pautar suas reivindicações junto aos seus sindicatos em busca de melhores condições de vida no campo. 


A jovem diretora Lucinéia Justino destacou a Campanha de sindicalização e quitação da Juventude rural que teve início em 1º de maio e termina em dezembro de 2013. Ela propôs aos jovens se filiarem aos seus sindicatos, formar Grupo de Estudos Sindical e cobrar as mudanças de forma organizada, para garantirem as políticas públicas pra juventude, por exemplo, o acesso ao financiamento ao Pronaf Jovem e outros projetos do governo. Para a diretora é preciso quebrar a lógica de que o sindicato só existe para os mais velhos. “Os jovens sabem que o sindicato existe, mas na cabeça deles o sindicato existe só pra aposentar”, disse. 

De acordo com o Secretário Geral Osivan, os jovens organizados serão muito mais fortes e farão as políticas públicas saírem do papel, “[...] porque muitas vezes os recursos ficam no banco e se ninguém for lá pressionar, não saem!”, disse. 


Parafraseando o pedagogo, Paulo Freire, que disse que "ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo", a jovem Débora Luisa, indígena, auxiliar administrativo do P1MC/Polo e estudante de Licenciatura em Educação no Campo, Procampo, em Belém do São Francisco, falou sobre a Educação Contextualizada como fruto da conquista da sociedade organizada, dos trabalhadores/as, comunidades tradicionais, sindicatos, etc..."Esse programa é uma conquista nossa. Se a gente não tinha hoje nós temos", disse. Na educação do Campo o centro é o aluno e sua realidade. Ela deve ser diferenciada. Esse tema empolgou e provocou um grande e bom debate.



A equipe do P1MC prestou contas dos trabalhos executados nos municípios de Manari e Inajá. Falou do cumprimento das metas e do apoio que as comunidades deram para a realização dos trabalhos. “Para mim foi um grande desafio trabalhar em uma área desconhecida, de difícil acesso em algumas áreas, mas gostei muito do apoio do sindicato, da comissão municipal e das famílias”, enfatizou Sebastião, agente social do programa. De acordo com o agente Lourinaldo as famílias que receberam as cisternas são bem humildes, mas têm prazer em ajudar e oferece o que tem de melhor. “A elas queremos agradecer pelo carinho e apoio”, expressou.



Finalizando, os participantes avaliaram o encontro como positivo, produtivo e conscientizador. Foram feitos os agradecimentos e o diretor Elizado Falcão deu por encerrado os trabalhos convidando à todos para rezarem uma oração (Pai-Nosso).

Outros registos:


Por: Josiel Araújo
Comunicador Popular

3 comentários:

AGENTE SOCIAL SEBASTIÃO ALVES disse...

FOI MUITO IMPORTANTE!
O TEMA ESCOLHIDO PELA DIREÇÃO FOI INTERESSANTE, TODOS QUE TIVERAM A OPORTUNIDADE DE SE EXPRESSAR SOBRE O MESMO SE SAÍRAM MUITO BEM.
NA ÁREA TÉCNICA FOI MUITO RICO DE CONHECIMENTO NO MODO GERAL, FICAMOS MUITO SATISFEITOS COM O ENCONTRO.

Josiel Araujo disse...

Realmente companheiro sebastião o encontro foi muito bom. Valeu por comentar!

Izabel Cristina disse...

Isso é o Polo Sindical, agente transformador de realidades.

È no semiárido que a VIDA pulsa
È no semiárido que o POVO resiste!!!