quinta-feira, 17 de outubro de 2013

I Encontro Estadual de Agricultores/as: Compartilhando saberes e esperanças.

Abertura do Encontro de agricultores/as na Câmara
de Vereadores de Afogados da Ingazeira
“Mais que um encontro de troca de experiências, esse foi um momento para compartilhar esperanças”, disse uma das jovens agricultoras ao avaliar o I Encontro Estadual de agricultores e agricultoras experimentadores/as do estado de Pernambuco, que teve início no dia 13/10/2013 e terminou no dia 15/10/2013 com o almoço no Clube Campestre em Afogados da Ingazeira - PE. Foi um momento ímpar, pensado pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e organizado pelas organizações que compõem a ASA-PE, dedicado especialmente aos agricultores/as familiares.

O encontro atingiu os objetivos propostos que era de fomentar o debate sobre as questões das sementes no estado, a preservação do patrimônio genético (animal e vegetal) e discutir as perspectivas da ASA no campo da preservação das sementes; além da formatação de propostas concretas para serem apresentadas no 3º encontro Nacional de agricultores e agricultoras que acontecerá em Campina Grande na Paraíba e reunirá cerca de 250 participantes de todo o Semiárido brasileiro entre os dias 28 e 31 de outubro e terá com o  tema: Guardiões da Biodiversidade: cultivando vidas e resistência no Semiárido.

Intercâmbios de experiências:

Além das discussões em plenário através dos painéis e mesas de debates, apresentados pelos próprios agricultores experimentadores, outra dinâmica foi a atividade prática, os intercâmbios, que possibilitaram o conhecimento in loco das várias experiências exitosas do Semiárido pernambucano, como o Biodigestor do agricultor Ivan Lopes do Povoado Bom Sucesso, Tuparatama, PE. Ele acredita na energia renovável e garante uma boa produção orgânica na sua propriedade.

Outra experiência visitada foi a Unidade de beneficiamento da castanha de caju mãos crioulas, das comunidades Umbuzeiro e Leitão, Afogados da Ingazeira-PE; um exemplo de organização, determinação e coragem dos agricultores/as.

O manejo de animais foi outra experiência conhecida na propriedade do senhor José Alfredo Filho, muito conhecido como seu Zezinho e de dona Lurdinha, da comunidade Pajeú Mirim à 18 km da cidade Tabira, PE. O produtor e sua família receberam os visitantes com muita satisfação e se colocaram à disposição dos visitantes. Ele falou do controle das vacinas, principalmente no cuidado com a verminose, garante a alimentação dos animais à partir da silagem do sorgo e outras forragens e garante a água pra família e os animais através do armazenamento na cisterna de 16.000 mil litros e de uma cacimba. “A agricultura familiar sempre foi a nossa principal atividade, desde os meus pais que foram agricultores de verdade. em tempos bons de chuva, nós tiramos tudo nesta propriedade”, enfatiza seu Zezinho. Os visitantes perceberam ainda o envolvimento dos filhos do casal no manejo dos animais e nas atividades rurais, garantindo a renda necessária para bancar os estudos dos mesmos. O agricultor contou que tira toda semana em torno de 56 litros de leite de cabra e vende na cidade, e que o dinheiro é do filho para custear a faculdade de matemática dele. Como o intercâmbio garante a troca de saberes, seu Zezinho também tirou suas duvidas com os agricultores e técnicos sobre os problemas com a parição das cabras e satisfeito com o que ouviu, agradeceu. De acordo com a agricultora Aparecida Diniz, do Povoado São José de Pilotos, município de Santa Cruz da Baixa Verde, a visita de campo foi muito importante e serviu de exemplo para aqueles que se interessaram pela criação de animais de pequeno e médio porte.

Um dos grupos de agricultores visitou a experiência do manejo sustentável da caatinga, do agricultor José Carlos, do Assentamento das Onças, em Afogados da Ingazeira. Destaque para a preservação da biodiversidade da fauna e da flora, por meio de uma barragem construída com galhos de marmeleiro e jurema preta para diminuir a erosão por meio da obstrução da chuva e reter sementes das plantas nativas. A o trabalho da proliferação fica por conta de abelhas besouros e maribondos.

A última experiência visita foi a da agricultora Terezinha Cavalcanti, uma senhorinha simpática da comunidade São Miguel do município São José do Egito, no Sertão do Pajeú que desenvolve os quintais produtivos. Ela consegue manter a produção orgânica mesmo com as estiagens, graças à sua disposição dedicação e amor à terra.

Durante os debates, os agricultores e agricultoras interagiram, expondo suas percepções em relação às experiências visitadas, do acesso a água, terra, manejo dos animais, beneficiamento, manejo agroflorestal, produção orgânica e a criação de bancos de sementes; assimilando bons exemplos e práticas que levarão para suas comunidades. Para a agricultora Jucileide do Assentamento Lulaço, em Belém do São Francisco foi muito importante a troca de saberes, porque tirou várias dúvidas em relação ao manejo com os animais, as plantas; e alertou para a necessidade da manutenção e armazenamento das sementes, tanto animal como vegetal.

Propostas dos agricultores/as:

O trabalho de grupo possibilitou a discussão e a formatação de várias propostas que serão apresentadas pelos 28 representantes de Pernambuco no 3º Encontro Nacional em Campina Grande/PB.

  • Garantir sementes de qualidade e variedade suficiente, como também seu insumos e utensílios de armazenamento para a agricultura familiar;
  • Garantir assistência técnica voltada para a agricultura familiar; Garantir á agricultura familiar um programa de aquisição de animais de pequeno porte, disseminação e implantação o bio digestor;
  • Um programa de conscientização dos agricultores em relação a semente crioula (animal e vegetal); Campo de produção de sementes crioulas; Que cada município adote um banco de sementes crioulas;
  • Um selo de garantia que essas sementes sejam crioulas e orgânicas;
  • Criar condições para o agricultor armazenar grãos, forragens e água;
  • Intensificar a fiscalização para que haja o cumprimento da Lei e a venda dos produtos da agricultura familiar para o PAA e PNAE; Criar Lei Federal de Sementes Crioulas.
Encerramento:

“Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, foi a música que embalou a mística de encerramento do I Enconto estadual de agricultores/as do estado de Pernambuco organizado pela ASA-PE. Quem teve a honra de aspergir o líquido sagrado e abençoado indispensável à vida, a água, sobre os participantes e desejando um bom retorno, foi a senhora Francisca Maria de Almeida, Assentamento Tomada da Quixabeira; mulher, mãe, agricultora experimentadora, exemplo de vida em nosso Semiárido.

Outros registros:








Josiel Araújo Santos
Comunicador Popular/ASA/Polo Sindical

sábado, 12 de outubro de 2013

Agricultores/as experimentadores compartilharão suas experiências em Encontro Estadual da ASA-PE

De 13 a 15/10 a Articulação no Semiárido Pernambucano (ASA-PE) promoverá o Encontro Estadual de agricultores/as experimentadores em Afogados da Ingazeira – PE, Sertão do Pajeú do estado. Este encontro terá como objetivo estabelecer a troca de saberes entre estes atores à partir da experiência e vivência dos mesmos com a agricultura familiar. 

Este encontro é fruto da dinâmica da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) que busca fortalecer a sua rede de agricultores e agricultoras nos territórios e estados brasileiro, ampliando a construção do conhecimento de forma coletiva. Os encontros estaduais são momentos de preparação para o 3º Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores que reunirá cerca de 250 participantes de todo o Semiárido brasileiro em Campina Grande, na Paraíba, entre os dias 28 e 31 de outubro com o  tema Guardiões da Biodiversidade: cultivando vidas e resistência no Semiárido. De acordo com Neilda Pereira, Coordenadora executiva da ASA-PE, esse processo de discussão e fortalecimento das experiências permite que os agricultores/as cheguem ao encontro nacional com um novo olhar e um maior comprometimento.

O Polo Sindical dos Trabalhadores/as Rurais do Submédio São Francisco-PE/BA corrobora com a ASA por partilhar do mesmo desejo de garantir a manutenção das alternativas de convivência que foram experimentadas, aprovadas e efetivadas pelos agricultores/as no Semiárido e desejam compartilhar. Sendo assim, a participação dos representantes da região do Submédio São Francisco neste encontro estadual se dará nas presenças de 03 agricultoras experimentadoras, sendo, uma de Inajá, uma de Belém do São Francisco e uma de Carnaubeira da Penha; além do técnico Elizado Falcão, diretor de Convivência com o Semiárido/Polo e de Josiel Araújo, Comunicador Popular (P1+2/ASA/Polo).

Josiel Araújo
Comunicador/ASA/Polo

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ENTREGA OFICIAL DE BOLETIM E BANNER DE SISTEMATIZAÇÃO “O CANDEEIRO” À FAMÍLIA DE DONA FRANCISCA EM PETROLÂNDIA - PE.

Secretário Geral do Polo Sindical entregando o Boletim e
o Banner a família de Dona Francisca
Neste domingo, (06/10) foi feita a entrega oficial do Boletim “O candeeiro” e do Banner de Sistematização de experiência da família da agricultora Francisca Gonçalves, moradora do Projeto Barreiras, Lote 2, da Agrovila 7 em Petrolândia – PE.

Na oportunidade, estiveram presentes o Diretor do Polo Sindical Osivan (Secretário Geral), o Coordenador do Programa P1+2, Sandro Rogério, o Comunicador Popular Josiel Araújo e o Agente Social Jailson Cruz, além dos familiares, vizinhos e amigos da agricultora.

Inicialmente, Dona Francisca, feliz da vida, desejou boas vindas a todos os presentes e agradeceu ao Polo pela atenção dispensada. O coordenador Sandro Rogério falou da importância do evento e da entrega do material produzido pelo setor de comunicação do Polo com a experiência de dona Francisca, pioneira na região na produção de hortaliças sem uso direto de agrotóxicos. Sandro lembrou ainda que a agricultora tem uma história de luta pelo reassentamento, na organização das mulheres e nos encontros do Polo  e STR.

Aproveitando o ensejo, o Diretor Osivan fez breve relato da história do Polo Sindical na região do Submédio São Francisco, destacando a participação dos trabalhadores e trabalhadoras e da igreja católica na luta pelos direitos das famílias atingidas pela barragem de Itaparica construída pela CHESF. Ele falou dos projetos e ações da entidade junto às famílias da região e parabenizou dona Francisca em manter na sua propriedade o ideal de se produzir agroecologicamente. “Para nós que representamos o Polo Sindical é uma grande satisfação em compartilhar esse momento e reforçar a importância da produção orgânica e ecologicamente correta, respeitando à vida a partir da relação de cuidado com a natureza”, diz Osivan.

O trabalho da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) foi destacado por Sandro Rogério como fundamental para ajudar as famílias no processo de convivência com o Semiárido. Lembrou a fundação da ASA em Recife em 1999 à partir da organização da sociedade civil atuante na região semiárida brasileira. Falou ainda das 279 cisternas de produção que serão implementadas pelo Polo Sindical/ASA/P1+2 nos municípios de Belém do São Francisca, Inajá e Carnaubeira da Penha, garantindo assim, o acesso a água e a produção de alimentos agroecológicos para a segurança alimentar e nutricional das famílias.

Chegou a hora da entrega do banner e leitura do Boletim que tem o Tema: A produção Orgânica a força da mulher reassentada.  Antes, o comunicador Josiel falou da sua experiência em sistematizar a história de dona Francisca e agradeceu pela oportunidade de conhecer a família. Após a leitura e debate do material apresentado, dona Francisca confirmou a veracidade e fidelidade do conteúdo editado pelo comunicador e aproveitou o ensejo para convidar os seus vizinhos à reservar um pedacinho da terra para plantar organicamente e cobrou ao Polo Sindical um projeto de uma estufa para proteger a sua produção dos invasores e pragas.

Finalizando, a família agradeceu ao Polo Sindical – PE/BA e aos presentes pela atenção dispensada em compartilhar esse momento, e, dona Francisca convidou à todos para um delicioso almoço de confraternização.

Registros em fotos:







Por: Josiel Araújo
Comunicador Popular
Polo Sindical/ASA

POLO SINDICAL – PE/BA CONSTRUIRÁ MAIS 300 CISTERNAS NOS MUNICÍPIOS DE MANARI E INAJÁ

Família de Manari, PE, contemplada na Etapa 1
Foto: Sebastião/Agente Social - P1MC/Polo Sindical
A Equipe do P1MC/Polo e as famílias agricultoras de Inajá e Manari, PE receberam com muita satisfação a notícia de que o Polo Sindical-PE/BA construirá mais 300 cisternas de 16.000 mil litros d’água nos respectivos municípios. 

Essa decisão foi tomada após várias discussões e negociações entre a Associação Programa Um Milhão de Cisternas Rurais (AP1MC) e o Polo Sindical dos Trabalhadores/as Rurais do Submédio São Francisco – PE/BA, garantindo às famílias do Semiário pernambucano o direito a água de qualidade, um dos elementos mais precioso e essencial à vida. 

No dia 30 de agosto do corrente ano em reunião de planejamento da equipe, a Coordenação do Polo Sindical, Unidade Gestora Territorial (UGT) oficializou e autorizou o início das atividades desta nova etapa, ficando definido um calendário para execução dos trabalhos com as seguintes etapas: Dia 03/09/13, reunião com a direção do Sindicato dos/as Trabalhadores/as Rurais e Comissão Municipal de Inajá-PE para definir as comunidades que serão atendidas. No dia 10/09/13, reunião com a direção do Sindicato dos/as Trabalhadores/as Rurais e Comissão Municipal de Manarí-PE para definir as comunidades deste município que receberão as implementações. 

Após as definições necessárias, a equipe do P1MC, coordenada pelo Técnico José Dionízio, junto com os sindicatos e comissões municipais, mobilizarão as comunidades selecionadas para uma reunião de apresentação e cadastramento das famílias que serão contempladas. 

Em breve informaremos as próximas etapas para implementação das 300 cisternas (16.000 litros) da Articulação no semiárido Brasileiro (ASA) e Polo Sindical – PE/BA nos municípios supracitados.

Por: Josiel Araújo
Comunicador Popular/ASA/Polo 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

04 de Outubro - Petrolândia celebra o dia do Padroeiro - São Francisco de Assis

Francisco, jovem e rico, era alegre e aproveitava as noites e as festas, estando sempre presente em banquetes e serenatas pela cidade.

Em 1201, Francisco partiu para uma guerra na cidade de Perúsia, encorajado pelo pai e pelo desejo do jovem de obter fama e mais dinheiro. Porém, a guerra não saiu muito bem como planejado por Francisco. Foi tomado como prisioneiro e assim permaneceu por meses, até conseguir sua libertação.

Ao voltar para casa, Francisco é acometido pela fraqueza, provavelmente conseqüência dos tempos de prisão. E é a partir desse momento que Francisco passa a sentir-se e também a agir de maneira diferente.

Rejeita o dinheiro e as coisas mundanas, que antes o apraziam. Volta-se para a oração e para ajudar os pobres e leprosos. Uma famosa passagem de sua vida, inclusive, conta que beijou um leproso, em sinal de amizade, que antes lhe causava repúdio.

Entrou em conflito direto com pai, quando vendeu todas as suas mercadorias para dar dinheiro aos pobres e comprar material de construção, para completar a reforma de uma igrejinha.
Esses conflitos desencadearam na fúria do pai de Francisco, que o deserdou.

Muito jovem, aos 25 anos, Francisco aceita a decisão do pai e renuncia definitivamente os bens paternos. Entrou de vez para a vida religiosa, fundando a Ordem dos Frades Menores e a Ordem Terceira.

Foi em 1224 que Francisco recebeu os estigmas de Jesus crucificado em seu próprio corpo, dois anos antes de sua morte.

São Francisco de Assis foi canonizado pelo papa Gregório 9º em 1228.

Frases e Pensamentos de São Francisco de Assis:


"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível."
Homenagem do Polo Sindical ao homem que renunciou uma vida de luxo para se dedicar aos pobres e a proteger os animais e o meio ambiente.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

CARTA ABERTA AO GOVERNO BRASILEIRO E À SOCIEDADE SOBRE OS ACONTECIMENTOS ENVOLVENDO A CONAB E O PAA

Nos últimos dias, os meios de comunicação têm veiculado notícias sobre desvios de recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em alguns estados e buscando associar Silvio Porto, Diretor de Política Agrícola e Informação (DIPAI) da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e responsável pela execução do programa, aos acontecimentos.

O Silvio Porto que conhecemos tem uma história limpa e comprometida com as organizações sociais e com os mais pobres. Justamente por isso e na linha traçada pelas políticas de Governo e proposições do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), tenha feito o PAA se tornar um Programa que tem importância reconhecida por todos e todas, indistintamente, porque o fez chegar a milhares de agricultores e agricultoras familiares e a centenas de milhares de pessoas em situação de insegurança alimentar nos rincões desse Brasil, utilizando um processo de gestão íntegro, participativo e democrático. Por todas as regiões e biomas do país, a exemplo do Semiárido, o PAA oportunizou e viabiliza efetivamente a agricultura familiar brasileira, através da compra e venda da produção dos
camponeses e camponesas, criando-se assim melhores condições de vida para as pessoas que vivem no campo e para aquelas que passam a ter acesso a alimentos com regularidade e qualidade.

O PAA é responsável pela dinamização de centenas de organizações de agricultores e agricultoras, de movimentação endógena de recursos, de elevação de renda e de oportunidades para milhares de pessoas, da eliminação de atravessadores que sempre ameaçaram a agricultura familiar e a CONAB é órgão estratégico de ação governamental na perspectiva da garantia do abastecimento e da segurança alimentar da população brasileira.

Diferente da visão que está sendo apresentada do PAA, como uma oportunidade para desvios de recursos públicos, o que conhecemos concretamente é um Programa que tem contribuído efetivamente para gerar mais inclusão social e produtiva, partilhar os bens e as riquezas, e assim diminuir as desigualdades sociais
do Brasil.

Na gestão diuturna e incansável desta política, Silvio Porto tem desempenhado
importante e fundamental papel, com firmeza, ética e honradez.

Se há problemas no PAA, como existirão em todas as ações levadas a efeito pelos seres humanos, avaliamos que se deva efetivamente apurá-los, comprovar fatos, identificar os efetivos culpados e puni-los, e não promover o linchamento público de pessoas que têm contribuído e se dedicado com honestidade e honradez à melhoria da qualidade de vida da população mais pobre desse país.

Diante da exposição acima, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) manifesta seu reconhecimento e solidariedade a Silvio Porto, por sua trajetória e compromisso com as causas sociais. Silvio Porto é agrônomo, tem uma respeitável trajetória como servidor público e merece o respeito e o reconhecimento da sociedade brasileira.

Conhecendo e acompanhando sua trajetória, afirmamos ser ele um homem público radicalmente diferente do perfil que está sendo desenhado pelos meios de comunicação social.

Finalizamos esta carta manifestando o nosso interesse na apuração dos fatos e na punição dos culpados. Defendemos, veementemente, a continuidade e ampliação do PAA, como Programa e Política de Governo, de dimensão estruturante, na perspectiva da Segurança Alimentar e Nutricional e da viabilização da Agricultura Familiar no Brasil.

Recife/PE, 27 de setembro de 2013


Coordenação Executiva da ASA
Diretoria da Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semiárido (AP1MC)

Reunião da Coordenação Estadual da ASA-PE

O Polo Sindical através de Elizardo Falcão (Dir. Convivência com Semiárido), Sandro Rogério (Coord. P1+2) e José Dionizio (Coord. P1MC), participam nesta sexta feira (27/09) no Hotel Vila Rica em Caruaru da reunião mensal da Coordenação Estadual da Articulação Semiárido Pernambucano.

Com a participação dos/as coordenadores/as das organizações que atuam no estado e executam os Programas de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido Brasileiro, a reunião tem o objetivo monitorar, avaliar e planejar as ações das entidades nos Programas Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), mas também discuti temas importantíssimos como:

- Encontros Estadual e Nacional de Agricultores Experimentadores;
- Atuação da ASAPE nos Conselhos;
- Balanço avaliativo do Encontro Estadual da ASAPE; 
- Informes da Coordenação Executiva da ASA Brasil;

Sandro Rogério
Coordenador P1+2

Polo Sindical promove mais uma capacitação de pedreiros em Inajá, PE

Entre os dias 16 e 25 de setembro do corrente ano foi realizado mais uma capacitação de 10 pedreiros dos municípios de Belém do São Francisco e Inajá, PE, em Cisterna- Enxurrada. Na abertura da capacitação esteve presente o Coordenador do Programa (P1+2), Sandro Rogério que acolheu os participantes e agradeceu pela disposição de cada um em aprender a construir as cisternas de produção (tecnologias sociais) que irão contribuir para a soberania e segurança alimentar e nutricional das famílias da região. Sandro falou do Programa Uma Terra e Duas Águas, seus idealizadores (ASA/AP1MC), os executores (equipe/Polo Sindical – PE/BA) e do seu financiador, a Petrobras, através do Termo de Patrocínio (TP-2013). Na oportunidade, esteve presente também o Comunicador Popular, Josiel Araújo para registrar o momento; além dos Agentes Sociais do programa Gildo Novaes e Hildeberto (Lídio) que garantiram durante toda a formação dos pedreiros o apoio logístico necessário.




A cisterna-enxurrada é uma das tecnologias sociais que serve para armazenar a água da chuva e tem ajudado a melhorar a qualidade de vida de muitas famílias agricultoras do Semiárido brasileiro. O terreno é utilizado como área de captação. Para a filtragem da água são utilizados dois tanques de decantação. Essa água escoa através de canos para a cisterna que têm capacidade para guardar até 52 mil litros de água. A retirada da água é feita por meio de uma bomba de repuxo manual.

Para o pedreiro Manuel da comunidade Alto dos Santos, Inajá, PE, essa é uma grande oportunidade para aprender coisas novas. “Hoje eu trabalho de pedreiro, mas, cisterna mesmo eu não fiz ainda não, mas quero aprender. Já acompanhei como servente a construção de um bocado delas”, diz. Já para o instrutor da capacitação, o experiente pedreiro José Gomes, conhecido como Nego de Galego, nessas capacitações há uma troca de experiências positiva, aonde se ensina e também se aprende muito das construções, bastando o participante está disposto e envolvido no processo.



O Polo Sindical-PE/BA, Unidade Gestora Territorial (UGT), executará 74 implementações no município de Inajá, sendo 44 cisternas calçadão e 30 de enxurrada. Uma das famílias que garantirá os benefícios da cisterna-enxurrada é a família do senhor Jacinto Antônio da Silva, 44 anos, do Povoado Jurema em Inajá. Para ele é um prazer ter uma cisterna dessas em casa, porque na hora da precisão a família tem um reservatório com água e não será preciso andar mais de 3 km para buscar água, como faziam antes.

No final da capacitação foi feito os agradecimentos pelos representantes do Polo Sindical e pela família do senhor Jacinto e dona Simone que ficaram com a cisterna-enxurrada prontinha. Também foi entregue aos pedreiros participantes os certificados de conclusão do curso e um kit de construção.


Por: Josiel Araújo

Comunicador Popular/ASA/Polo

domingo, 22 de setembro de 2013

Encontro garante à juventude e aos produtores rurais reflexão em torno da convivência com o Semiárido


“Eu adorei a reunião, não esperei ser tão boa como foi. Nós fomos bem recebidos, bem tratados, foi ótimo, excelente, se fosse melhor do que isso estragava”. Essas foram as palavras da Senhora Antonia do Povoado Boa Esperança, Inajá/PE ao avaliar o Encontro Microrregional promovido pelo Polo Sindical – PE/BA nos dias 19 e 20 deste mês em Petrolândia - PE. Com o tema: Juventude Rural: Discutindo a Convivência na Região Semiárida, o encontro reunião homens, mulheres e jovens agricultores/as familiares dos municípios de Inajá e Manari/PE que durante dois dias discutiram importantes temas relacionados ao Semiárido brasileiro.

No primeiro dia, após a dinâmica de apresentação dos participantes, a convidada Francisca Gonçalves, reassentada de Itaparica, do Projeto Barreiras, Petrolândia-PE fez uma breve explanação da sua experiência com a agricultura orgânica; pioneira na região, após ter participado de um Curso em Agroecologia no Serta em Ibimirim-PE promovido pelo Polo Sindical. Josiel Araújo, Comunicador Popular (ASA/P1+2) relatou sua experiência em sistematizar no boletim "O Candeeiro" a história da agricultora. "Essa mulher é uma guerreira, um exemplo de vida. Contar sua história foi apaixonante", conta. Dona Francisca falou ainda dos sucessos, mas também destacou as dificuldades em manter seu projeto vivo. Houve uma boa participação nos debates em torno desta temática, além de incentivos para que dona Francisca continue firme no propósito de produzir organicamente.



As ações da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) foram destacadas na apresentação de José Dionízio, Coordenador do P1MC/Polo que apresentou dados dos projetos e implementações do programa P1MC executado pelo Polo Sindical na região. Para contribuir com o debate, Elizado Falcão da Secretaria de convivência com o Semiárido apresentou as “Novas Narrativas do Semiárido” à partir das ações da ASA e as organizações parceiras na execução das tecnologias sociais. Após discussões a respeito dos assuntos abordados e, depois de uma dança de roda (cultura indígena), a diretora Lucinéia Justino da Secretaria de jovens e mulheres e Elizado Falcão apresentaram o Campo de atuação Polo Sindcial e destacaram as ações promovidas na região do submédio São Francisco, pautadas sempre na defesa dos trabalhadores/as, dos jovens e das mulheres do campo.


O coordenador do P1+2, Sandro Rogério trouxe importante contribuição sobre os conceitos e princípios da Agroecologia, não como alternativa, mas sim, como garantia da manutenção das boas práticas de produção que respeita as pessoas e o meio ambiente como os nossos pais e avós sempre fizeram. Sebastião, agente Social do P1MC, ilustrou o debate falando que seu avô faleceu com 101 anos, porque sabia plantar e comer.

No segundo dia, (20), houve a participação do Coordenador Geral do Polo Sindical-PE/BA, Adimilson Nunis, que iniciou os trabalhos agradecendo a presença de todos. Falou que não é novidade pra ninguém o trabalho que a entidade desenvolve na região e disse que desde a fundação da ASA o Polo constroi cisternas. “Porque nós entendemos que é fundamental para o agricultor que está lá na sua roça, ter no mínimo uma política que garanta a água pra beber”, enfatizou. Reforçou que para os trabalhadores garantirem seus direitos é preciso está organizado em seu sindicato e este por sua vez fazer parte da rede sindical, ligado ao Polo, a Contag e no estado a Fetape para que a união faça a força que os trabalhadores precisam para vencer os obstáculos. Adimilson convocou a juventude rural à pautar suas reivindicações junto aos seus sindicatos em busca de melhores condições de vida no campo. 


A jovem diretora Lucinéia Justino destacou a Campanha de sindicalização e quitação da Juventude rural que teve início em 1º de maio e termina em dezembro de 2013. Ela propôs aos jovens se filiarem aos seus sindicatos, formar Grupo de Estudos Sindical e cobrar as mudanças de forma organizada, para garantirem as políticas públicas pra juventude, por exemplo, o acesso ao financiamento ao Pronaf Jovem e outros projetos do governo. Para a diretora é preciso quebrar a lógica de que o sindicato só existe para os mais velhos. “Os jovens sabem que o sindicato existe, mas na cabeça deles o sindicato existe só pra aposentar”, disse. 

De acordo com o Secretário Geral Osivan, os jovens organizados serão muito mais fortes e farão as políticas públicas saírem do papel, “[...] porque muitas vezes os recursos ficam no banco e se ninguém for lá pressionar, não saem!”, disse. 


Parafraseando o pedagogo, Paulo Freire, que disse que "ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo", a jovem Débora Luisa, indígena, auxiliar administrativo do P1MC/Polo e estudante de Licenciatura em Educação no Campo, Procampo, em Belém do São Francisco, falou sobre a Educação Contextualizada como fruto da conquista da sociedade organizada, dos trabalhadores/as, comunidades tradicionais, sindicatos, etc..."Esse programa é uma conquista nossa. Se a gente não tinha hoje nós temos", disse. Na educação do Campo o centro é o aluno e sua realidade. Ela deve ser diferenciada. Esse tema empolgou e provocou um grande e bom debate.



A equipe do P1MC prestou contas dos trabalhos executados nos municípios de Manari e Inajá. Falou do cumprimento das metas e do apoio que as comunidades deram para a realização dos trabalhos. “Para mim foi um grande desafio trabalhar em uma área desconhecida, de difícil acesso em algumas áreas, mas gostei muito do apoio do sindicato, da comissão municipal e das famílias”, enfatizou Sebastião, agente social do programa. De acordo com o agente Lourinaldo as famílias que receberam as cisternas são bem humildes, mas têm prazer em ajudar e oferece o que tem de melhor. “A elas queremos agradecer pelo carinho e apoio”, expressou.



Finalizando, os participantes avaliaram o encontro como positivo, produtivo e conscientizador. Foram feitos os agradecimentos e o diretor Elizado Falcão deu por encerrado os trabalhos convidando à todos para rezarem uma oração (Pai-Nosso).

Outros registos:


Por: Josiel Araújo
Comunicador Popular